Do PMDB, Partido Majoritário Da Boquinha, e da real culpa de Dilma

Sou contra o impeachment porque não há crime cometido por Dilma que o justifique.

Sou contra o impeachment porque, como já se falou, pra haver justiça, pelo que se sabe até agora, 14 governadores também deveriam perder seus mandatos por terem cometido as tais pedaladas fiscais – e eles não vão perder.

Sou contra o impeachment porque as boas maneiras da democracia impedem que se tire do poder um governante só por não gostarmos dele.

Sou contra o impeachment porque todo esse movimento contra Dilma ainda acaba fazendo o PT de vítima, coisa que ele não é.

Se Lula fez besteira com sua biografia e se envolveu com as empreiteiras amigas de todos os governos – inclusive, o dele; inclusive, os do PSDB -, que seja punido por isso.

Se o PT escandalizou até quem nele acreditava e nele votava, que os autores petistas dos supostos crimes continuem indo pra cadeia. Muitos já foram.

Mas Dilma, o que fez? Não está na lista da Odebrecht e, até onde sabe o juiz Sérgio Moro, não afanou a Petrobras. Não foi pega com dinheiro de procedência desconhecida escondido nas roupas íntimas, não pôs na bolsa verba de merenda de criança, não ganhou apartamento no Guarujá nem casa em Maricá, tampouco assinou contrato fictício pra remeter recursos ao exterior.

Por isso sou contra o impeachment. Sou, sim.

Dilma faz um governo ruim? Faz. Talvez porque não consiga governar – mas isso não é razão pra impeachment. Então, se for arrancada da Presidência, terá sido golpe? Sim. E por abominar golpe, sou contra o impeachment.

Em 2014, 54,5 milhões de brasileiros votaram em Dilma. Quem sabe, hoje, já não votassem – mas nem isso é razão pra impeachment.

Querer o impeachment é querer a mesma coisa que o PMDB. E, se outra razão não houvesse, dificilmente eu conseguiria querer a mesma coisa que o PMDB – e também por isso não posso ser a favor do impeachment.

Até o pó do cafezinho servido no Salão verde da Câmara dos Deputados e o misto-quente da lanchonete do Senado reconhecem no gesto do PMDB de pular do barco do governo um movimento de oportunidade.

Não posso ser a favor de uma causa defendida por quem lida com a coisa pública movido pelo instinto da oportunidade privada. Ou será que o partido do vice Michel Temer saltou do governo por estarrecimento com os descaminhos do PT? Duvido.

O Brasil estaria bem melhor se a razão fosse essa.

Partido sem voto e sem vergonha de expor sua sofreguidão por cargos, o PMDB, já rompido com Dilma, não consegue que todos os seus ministros deixem o governo. O apego é maior que a fidelidade. A boca é maior que a fome.

Como querer a mesma coisa que um partido assim? Sem generalização, e com todo o respeito, o cronista digital não consegue. Não consegue.

O cronista digital já reiterou algumas vezes que não tem filiação partidária. Não é petista e nunca foi eleitor incondicional de ninguém. Jamais votou na direita, isso, sim, e acredita que jamais votará, porque já está velho demais pra mudar sua alma e suas convicções e sua crença na possibilidade de um mundo mais justo, onde quem tem menos seja a prioridade e não a conveniência pessoal de políticos.

A prioridade do grande PMDB, este que atua no atacado e no varejo da política, parece ser a boquinha. Não posso ser a favor da boquinha. Também por isso sou contra o impeachment.

***

O cronista digital pede desculpas por ter ficado tantos dias sem escrever aqui. Estava na Amazônia. Foi conhecer Belo Monte e suas dores. Viu que lá moram as culpas de Dilma.

Viu miséria, flagrou mentira, enganação. Assistiu ao velório de um rio e do futuro dos índios que habitam suas beiradas.

Emocionou-se com a pescadora Raimunda e seu marido João. Sentiu-se impotente diante do relato dos ribeirinhos que tiveram suas vidas roubadas. Lamentou por mais de uma centena de ilhas e praias fluviais engolidas pelo alagamento causado por uma hidrelétrica que não vai gerar a energia prometida.

Solidarizou-se com o índio Reinaldo, com o pescador Zé Carlos, com as histórias de duas Antônias, temeu pelo futuro da menininha Niara.

Voltou certo de que metade da culpa pelo ocorrido lá é da grande mídia, por não ter dado a atenção necessária àquele desastre.

Quem quiser ler o que o cronista digital foi fazer lá, está tudo aqui: projetocolabora.com.br/energia/.

* A plantinha frágil aí de cima é inocente. Diz respeito apenas à segunda metade desta crônica. É um pinhão-pajé, que veio semente do Xingu e já começa a brotar.

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3 comentários sobre “Do PMDB, Partido Majoritário Da Boquinha, e da real culpa de Dilma

  1. Palmas. Palmas, nnão! O Tocantins inteiro pra vc!! Não concordo com parte do que diz. Acredito que não é pq outros cometeram o mesmo crime e não foram punidos que deixa de ser crime. A meu ver, ela cometeu vários delitos. O maior deles foi se deixar manipular por malucos sedentos de ódio e ávidos por poder e dinheiro. Mas isso não é crime, ne? É apenas burrice…
    Que se prove (ou não) os outros crimes. Que a condenem (ou não) mas que permitam que a justiça (que deveria ser cega) siga seu curso.
    Mas que não se permita que o PT se vitimize e que volte com seus projetos nada nobres a nos assolar a esperança em 2018.

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