Pela abolição do ‘mas’ em casos de estupro e algumas outras reflexões

O cronista digital, em suas reflexões recentes, formulou um projeto de lei pra sugerir ao parlamentar que quiser apresentá-lo ao Congresso Nacional. Diz assim:

Artigo 1°: fica abolido o emprego de todas as conjunções adversativas em conclusões policiais e judiciais em casos de estupro.

Artigo 2°: quando o assunto for estupro, também estará sujeito às punições previstas na regulamentação desta lei o uso dessas expressões em conversas de botequim, festas, estádios de futebol, bailes funk, rodas de samba, forró, demais eventos públicos, em salões de beleza, filas de supermercado ou de açougue ou de sorveteria ou de banco ou de banheiro ou de ônibus, metrô ou trem, e mesmo em blogs, redes sociais ou ambientes privados, como almoços ou jantares de família.

Artigo 3°: o emprego dessas expressões pela imprensa na abordagem de casos de estupro será livre, como livre deve ser a imprensa, e seu uso por jornalistas e articulistas será de responsabilidade do editor ou do chefe do setor da redação correspondente a uma, quem sabe, Editoria de Bom Senso ou Editoria de Vai Dar Merda (como havia sugerido Chico Buarque em relação ao Ministério de Lula), pois também estará sujeito às punições previstas na regulamentação desta lei.

Artigo 4°: compreenda-se como conjunção adversativa toda e qualquer expressão cujo significado coincida com o de “mas”, “porém”, “contudo”, “todavia”, “entretanto”, “no entanto” e “não obstante”.

Artigo 5°: revogam-se todas as disposições em contrário.

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Nesta quarta-feira, 1 de junho, Marilyn Monroe faria 90 anos. A linda atriz norte-americana morreu por dose excessiva de barbitúricos no dia 5 de agosto de 1962. Até hoje não se sabe se foi exatamente um suicídio.

O cronista digital nem em criança foi seu contemporâneo. A beleza arrebatadora de Marilyn, apesar disso, passeia em seu pensamento desde que ele era menino.

Marilyn Monroe foi uma mulher súbita e inesperada neste mundo. Uma mulher que se casou três vezes e se manteve livre e amou quem quis e conseguiu a proeza de, numa só existência, ter vivido romances intensos com um comunista, o dramaturgo Arthur Miller, seu terceiro marido, e um presidente dos EUA, John F. Kennedy.

Uma mulher liberta e imensa, maior que seu 1,66m, com quem dez entre dez homens de Hollywood queriam se deitar – e que, por muitos deles, era chamada de puta.

Uma mulher que, segundo a pesquisadora americana Lois Banner, professora de História da Universidade do Sul da Califórnia, chegou a apanhar do segundo marido, Joe DiMaggio, astro do beisebol americano na época, apenas por lhe despertar ciúme com sua sensualidade e boniteza.

Na biografia “Marilyn: the passion and the paradox”, Lois Banner sustenta que Marilyn, vítima do machismo implacável de seu tempo, plantou sementes do feminismo contemporâneo com sua vida livre. Com certeza plantou mesmo.

Seu nome de batismo era Norma Jeane Mortensen. Menina pobre da Califórnia, abandonada pela mãe, cresceu em orfanatos e revelou, certa vez, ter sofrido abuso sexual na infância. Casou-se aos 16, diz Lois Banner, apenas pra poder deixar o orfanato.

Marilyn morreu sozinha, aos 36 anos de idade, e, ainda hoje, faz companhia, em sonho, a homens do mundo inteiro.

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Nesta quarta-feira, 1 de junho, o governo mequetrefe de Michel Temer completou 20 dias em seu projeto de tentar ressuscitar um país senil, que a gente já supunha morto e sepultado.

Neste breve período, o governo mequetrefe nomeou como secretária de Políticas para Mulheres uma senhora, a ex-deputada Fátima Pelaes, que se assume contrária à descriminalização do aborto até em casos de estupro – o que é legal no Brasil desde 1984.

Também neste breve período, o governo mequetrefe já perdeu dois ministros por suspeitas de envolvimento direto numa trama cujo objetivo, mais do que afastar Dilma, era parar as investigações da Operação Lava-Jato.

Nesta quarta, primeiro dia da metade exata do ano, o relator do processo de cassação do mandarim Eduardo Cunha na Comissão de Ética da Câmara, deputado Marcos Rogério, apresentou seu parecer favorável à perda do mandato daquele que orquestrou o golpe do impedimento de Dilma.

Cunha, disse o relator em seu parecer, deve ser cassado por ter mentido a seus pares ao afirmar que não tinha contas na Suíça, supostamente abastecidas com dinheiro do estupro da Petrobras.

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Nesta quarta-feira, 1 de junho, o noticiário foi dominado por informações sobre o novo encolhimento do PIB e o aumento histórico da massa de desempregados no país.

Nesta quarta, 1 de junho, primeiro dia do mês – e de pagar contas, portanto -, o cronista digital completou nove meses em sua nova rotina sem carteira assinada e sem contracheque que lastreie seus boletos de luz, gás, telefone, aluguel, mensalidade escolar, cartão de crédito, prestações…

Mas ele vai levando – e, neste caso específico de estupro financeiro, o uso do “mas” está liberado.

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