Carnaval de Adalgisa

Vive olhando pra Lua

Ela é meio lunática

Sai por aí seminua

Cem por cento bombástica

Queimou os seus sutiãs

Mordeu todas as maçãs

Solta pelo paraíso

Jogou fora o juízo

Provoca febres terçãs

Com os seus balangandãs

Desorganiza as estrelas no céu

 

Vai aprontando escarcéu

Ela é meio dramática

Cobre as delícias com véu

Transparência fantástica

Anda a sorrir por aí

Mas só pra quem quer sorrir

Xinga da boca pra fora

Mal chegou, vai embora

Tortura os homens com mel

Corpo esculpido a cinzel

Tão rara como as sereias do mar

(letra da marcha-rancho “Carnaval de Adalgisa”, do cronista digital. Pra ouvir, clique aqui)

*     *     *     *      *

O cronista digital vive mais de uma encarnação numa só. Uma, importante à beça pra ele, é a de letrista de música popular.

Ele também toca violão. Mas, na maioria das vezes, toca só pra ele mesmo.

 quando o convocam, e ele acha que pode fazer isso direito, toca também pra outras pessoas.

O cronista digital fez isso na sexta-feira passada, dia 17 de junho. Convocado pelas meninas do bloco Mulheres Rodadas, da querida Débora Thomé, participou, com seu violão precário de compositor, de uma apresentação das moças no lançamento do “Dossiê Mulher”, sobre violência contra mulheres.

Foi uma manhã de encantamentos. O evento foi no Museu de Arte do Rio, MAR. O auditório estava lotado de mulheres. Havia apenas 13 homens na plateia apinhada.

O esquete idealizado e roteirizado com tanto esmero pelas meninas, dirigido pela talentosa Ludmila Rosa, era sobre o enxovalhamento feminino nas letras de sambas compostos, sobretudo, nas décadas de 1940 e 1950.

Sambas com versos como “mulher indigesta merece um tijolo na testa”, “ela quer apanhar”, entre outras abjeções.

A plateia ficou impactada. A maioria das mulheres ali já havia cantado aquelas músicas sem se dar conta do que as letras dizem.

Tudo isso é só pra dizer duas coisas.

Coisa 1: a letra desta marcha-rancho foi finalizada ainda na emoção daquela manhã no MAR.

Coisa 2: tomara que Adalgisa goste dela.

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4 comentários sobre “Carnaval de Adalgisa

  1. Grande Marceu,

    Se a leveza tiver um nome científico deve estar lá em algum trecho desses longos batismos algo como “” levissimus marceus est”(não há aspas em latim, rsrs).
    Como teria dito B. Shaw, nesse belo encontro: “Só se aprende pela Arte ou pela Dor”.
    Apesar de dolorido é fundamental refletir sobre o que leva uma menina aos 13 anos conviver com bandidos; rosnar sobre o resultado é repetir os cães atrás dos carros; tal qual expor o ferimento e o autor, tarda debater a gênese da ferida; nossas crianças agradeceriam!!
    Gd abraço
    Salve(emos) o Rio!!

    Curtido por 1 pessoa

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