Desconstrução de Adalgisa

Minha querida Adalgisa,
que há tanto tempo não vejo.

Sinto teu cheiro na brisa,
e na brisa eu te farejo.

Sei que andas pelas noites,
suspeito em quais companhias.

Teu desejo de mil volts
a outros tu já darias.

Como tanto me mentiste,
Adalgisa. És uma atriz.

Fingias olhar de triste
quando estavas bem feliz.

A razão desta missiva
é a tua desconstrução.

Tu que foste tão cativa,
soberana em meu coração.

Tuas pernas não são pernas.
São cordas que me enlaçaram.

Tuas grutas são cavernas
que tanto já me guardaram.

Teus cabelos de sereia,
tua pele de organdi…

Tudo ainda me mareia.
Mas, Adalgisa, decidi.

Abro mão dos teus encantos,
das tuas delícias todas.

Pois, em mim, os teus quebrantos,
não tarda, completam bodas.

Devolvo a ti o teu beijo,
o teu abraço de cetim.

E rogo que o meu desejo
libertes do gurufim.

Velório do nosso amor.
Amor que chegou ao fim.

Caixão coberto de flor,
Riobaldo e Diadorim.

Só eu sei o quanto te amei.
Em verdade, ainda amo.

Porque nunca te esquecerei,
Adalgisa, meu engano…

Nossas noites de paixão.
Teus gemidos de prazer.

Num só toque da minha mão
eu já te fiz umedecer.

As salivas misturadas,
convulsões sob o cobertor.

Quantas tantas madrugadas
de rasgado despudor.

O meu sexo no teu sexo.
Teus seios na minha boca.

A tua bunda em convexo.
A sanha da paixão louca.

Disso tudo, eu abro mão.
E outros homens serão teus.

E te mato em meu coração,
Adalgisa. É o meu adeus.

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3 comentários sobre “Desconstrução de Adalgisa

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