Diário da volta ao mundo com 100 mil pessoas em 180 dias

O cronista digital já fez muita coisa que só teve importância pra ele mesmo. Tomou banho de balde no quintal, por exemplo, e foi tão bom. Passou uma noite inteira deitado na areia da praia, olhando as estrelas, com o pensamento parado em Adalgisa, e sentiu tanto frio. Mijou de tanto rir uma vez, porque estava apertado.

Também saiu fantasiado de velho num carnaval, e ninguém o reconheceu. Fez carinho num leão, jogou futebol com bola de papel, soltou pipa no telhado, pulou o muro de um motel recém-inaugurado em Morro Agudo com a molecada da rua pra se esbaldar na piscina, pediu autógrafo ao Zico três vezes e, em cada uma delas, disse que era pra alguém diferente – mas era pra ele mesmo.

Fez tantas coisas desimportantes aos olhos dos outros, e tão repletas de especialidades pra ele.

Fez mais uma agora. O blog dele de crônicas passou de 100 mil acessos.

É pouco no oceano infinito da internet, o cronista sabe. Mas ele ficou tão prosa que decidiu agradecer a seus leitores.

Por conspiração do insondável, o reloginho da audiência alcançou estes seis dígitos na terça-feira, 26 de julho, dia exato em que o cronista digital completava seis meses no ar.

Nestes 180 dias, ou 4.320 horas, ou 259.200 minutos, ou ainda 15.552.000 segundos, ele publicou 59 textos (este aqui é o 60°) e foi lido em 99 países – certamente, claro, por brasileiros espalhados pelo mundo.

Na Armênia, por exemplo, conseguiu um leitor. Na Nova Caledônia, outro. Na Indonésia, sete. Na Malásia, cinco. Na Finlândia, 12. Na França, já tem quase 500, e em Portugal, também. Na Espanha, está chegando a 400. Nos Estados Unidos, já são mais de 2.200. Fora os quatro da Venezuela, os três da Nicarágua, os dois da Letônia… A todos, o cronista agradece de coração.

Às vezes, ele fica triste por não ter conseguido ainda nenhum na Groenlândia. Mas mantém a esperança e acha que ainda chega lá.

Autopromoção não é o que o cronista digital faz melhor. Desde muito menino, quando disputava o amor da garota que ele achava a mais bonita da escola, é assim. Por isso, ele se ausenta. Por isso, ele cala. Por isso, como agora, fica meio sem jeito e tenta sair de si mesmo e escreve na terceira pessoa.

Pra comemorar esta volta ao mundo em 180 dias na companhia de 100 mil pessoas, o cronista decidiu abrir mais uma vez sua caixa postal e repartir com seus leitores algumas observações, aflições, dúvidas e certezas de quem lhe escreve. Lá vão.

“Orfeu, que ideia é essa de aposentar Adalgisa?! Pela volta de Adalgisa já!”

“#SomosTodos Adalgisa!”

“Cara, você foi muito insensível, ‘matando’ Adalgisa…”

“Eu não aguento mais Adalgisa!”

“Duvido que tenha ‘matado’ Adalgisa de verdade.”

“Minha avó se chama Adalgisa.”

“Minha tia se chama Adalgisa.”

“Eu me chamo Adalgisa.”

“Descobri! Você é Adalgisa!”

“Marceu, você é filho do Marceu Vieira que escrevia no ‘Jornal do Brasil’?”

“Marceu, você se chama Marceu mesmo ou é nome artístico?”

“Marcel, adorei a crônica do Suplicy, ele é um grande brasileiro.”

“Marceau, Suplicy é patético. Aliás, Marceau, você também foi ao escrever isso…”

“Você é homem ou mulher? Já perguntei, você não respondeu.”

“Por que você não responde se blog dá dinheiro? Insisto, dá ou não dá?”

“Troca isso!” (o Sujinho)

“Não troca!” (o Sujinho)

“Vende isso!” (o Sujinho)

“Quem vai comprar isso?” (o Sujinho)

“Dá isso!” (o Sujinho)

“Quem vai querer isso? Nem dado!” (o Sujinho)

“Publica uma foto dele!” (o Sujinho)

“Perseu, cadê a crônica sobre a escola sem partido?”

“Você torce pra que time em Pernambuco?”

“Entrevista de novo a memória do Brizola, por favor, e pergunta pra ele sobre o Temer! Falta um Brizola pra esculhambar esse Temer!”

“Falta uma crônica sobre o Bip Bip…”

“Quando você criou o blog, eu pensei: pronto, vai ele escrever sobre esse boteco Bip Bip e sobre aquele dono antipático, o tal Alfredo…”

“Alceu, algum cantor ou alguma cantora de sucesso já gravou música sua?”

“Morro Agudo existe ou é ficção?”

“Narceu, duvido que errem tanto seu nome assim. Deve ser brincadeira sua.”

“Márcio, você poderia me passar seu telefone?”

“Você é velho?”

“Você é jovem?”

“Você picha a Globo, mas trabalhou no Globo. Explique-se.”

“É verdade que foi você quem levou as expressões ‘saliência’, ‘tem culpa eu?’, ‘danadinho’ e ‘fofo’ pra coluna do Ancelmo Gois? Você também é isso, viu? Hi hi hi…”

“Li em algum lugar que tem um Marceo Vieira na equipe de criação do novo programa do Marcelo Adnet. É você, Marceo?”

*   *  *  *

Obrigado.

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11 comentários sobre “Diário da volta ao mundo com 100 mil pessoas em 180 dias

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