Carta à Sheilla e a todas as meninas do vôlei brasileiro

Queridas Sheilla, Natália, Fabíola, Dani Lins, Fernanda Garay, Thaisa, Fabiana, Gabi, Juciely, Adenizia, Leia e Jaqueline. Esta é uma carta de amor. Quem a escreve é o cronista digital, um sujeito apaixonado por vocês, cada uma de vocês.

Ele, o cronista, também estende esta cartinha simplória, escrita com o coração na ponta dos dedos, às moças do vôlei de praia. Digam a elas, por favor. Digam a Larissa e Talita e a Agatha e Bárbara que os nomes delas estarão também pra sempre gravados no coração dele.

O cronista digital jamais conseguiu sucesso no vôlei. Até arriscou uns saques e umas cortadas nos tempos de escola. Mas como não era bom o bastante, voltou às peladas de futebol e se contentou em ser apenas um torcedor nas quadras.

A paixão por vocês, meninas, foi instantânea. Surgiu antes mesmo de 2008, quando vocês conquistaram, em Pequim, a primeira das duas medalhas de ouro olímpicas que deram pra gente.

E esta paixão já havia se convertido em amor eterno antes da apoteose em Londres-2012 – como esquecer aquela vitória histórica diante da Rússia, no tie-break, nas quartas de final, depois de vocês salvarem seis match points, e como apagar a lembrança da finalíssima contra os Estados Unidos, 3 a 1 pra nós? Impossível.

O cronista digital ama vocês não só pela beleza, que é muita – boniteza, aliás, que faz de cada uma de vocês uma Adalgisa inalcançável; lindeza, aliás, que, de tão grande, só permite elogios, jamais galanteios. Ele ama pelo talento, pela garra, pela doação, pela devolução à torcida tão sincera dele e de tantos.

O cronista tem certeza de que vocês teriam conquistado o tri olímpico, agora, nos Jogos do Rio, se o destino não fosse tão insensível e sem coração, como cisma de ser às vezes. O destino decidiu ser assim na noite de terça-feira, insensível e sem coração.

Como escreveu Carlos Drummond de Andrade a Manuel Bandeira na sua tocante “Ode ao cinquentenário do poeta brasileiro”, o cronista digital envia esta carta com um pedido lancinante pra que vocês não o deixem sozinho nesta cidade, neste país, neste mundo em que ele se sente pequeno à espera dos maiores acontecimentos.

Chorem, podem chorar, porque choramos todos também – na arquibancada e na frente da TV. Mas se reergam, não esmoreçam, não se sintam desimportantes, porque vocês não são, nem decepcionaram. Não mesmo.

No pódio do coração do cronista, ainda é de vocês o lugar mais alto. E ainda pertence a vocês a imensa admiração dele, e continua sendo de vocês o imenso orgulho dele.

O cronista faz um pedido especial à Sheilla, oposta da camisa 13, moça tão bela, que, pra ele, é a maior jogadora do mundo. Não desista. Não saia da seleção. Prossiga. Precisamos de você mais um pouco.

“Foi minha despedida, não queria sair desse jeito”, você disse, Sheilla, encerrado o trágico 3 a 2 imposto pelas gigantes chinesas nas quartas de final destes Jogos do Rio. “Queria estar na final para buscar o tri olímpico, é um momento muito triste pra mim, não era o que eu queria, mas é assim”, você desabafou.

Sheilla, aos 33 anos de idade, há 14 na seleção, você merece uma estátua. Mas teimou na autodesfeita de dizer que é hora de parar. Não é, não, moça. Eu li o que você escreveu nas redes sociais: “Hoje é um dia muito triste não só pela eliminação, mas porque foi meu último jogo pela seleção. E não foi como eu queria. Infelizmente, pra mim já deu.”

Pra quem ama tanto você, como este cronista precário, não deu ainda, Sheilla. Resista. Persista. Nada vai apagar o que suas cortadas e seus saques já nos proporcionaram. Nada mesmo. Por favor, fique.

Natália, Fabíola, Dani Lins, também chorei com vocês. Fernanda Garay, Thaisa, Fabiana, sofremos juntos, creiam. Gabi, Juciely, Adenizia, Leia, vocês são demais. Jaqueline, no meu time, você seria titular, suas lágrimas foram as minhas.

Digam ao técnico Zé Roberto que o cronista manda um abraço forte e um “muito obrigado”. Ele fez mais que o possível. Mas era a noite de Ting Zhu e das demais chinesas. Não era a nossa.

Vocês jogam com amor nos olhos, meninas, e isso é algo que a gente raramente vê no futebol, por exemplo – e esse amor que se projeta dos olhos de vocês é correspondido, podem acreditar, é sim.

Fiquem bem, enxuguem as lágrimas, sigam, porque Tóquio-2020 logo surge no horizonte. Estaremos juntos de novo. Até lá, como também escreveu Drummond, “não nos afastemos, não nos afastemos muito”.

Com amor, do cronista digital.

PS: como a Marta, vocês são todas melhores que o Neymar – e olha que ele joga pra caramba.

 

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3 comentários sobre “Carta à Sheilla e a todas as meninas do vôlei brasileiro

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