Michel Temer quando nasce se esparrama pelo chão…

O sol queimava o horizonte,
ao longe o dia jazia,
e logo, logo, defronte,
o Brasil se descobria.

Era meado de abril,
vinte e um pra vinte e dois.
Cabral, com seu corpanzil,
bradou, então: “Ora, pois!”

Desembarcado adiante,
no litoral da Bahia,
vexou-se o bom navegante:
um índio nu se exibia!

Vendo o formidável pêndulo
do tupiniquim viril,
Cabral o achou horrendo,
e o batizou: “Pau-brasil!”

Em vinte e seis, numa timbra,
rezou-se a Primeira Missa
com Frei Henrique Coimbra
– e começou-se a mestiça.

Passaram, pois, a foder
índias e portugueses.
E deu-se o alvorecer
de uma nação de pedreses.

Vieram depois os negros
e a fodelança seguiu.
No vaivém de mil regos,
formou-se assim o Brasil.

Foi tanta diversidade
numa História de mil gentes
que a gana por liberdade
impôs surgir Tiradentes.

Vieram a Inconfidência
e a Conjuração Baiana,
contidas com contundência
pela força lusitana.

Até que Pedro Primeiro,
nosso príncipe regente,
insurgiu-se num salseiro,
embora do rei, parente.

Aqui ficou residente,
não voltou a Portugal,
proclamando independente
nosso país tropical.

Mas, breve, Pedro partiu,
deixando no Novo Mundo
pra governar o Brasil
seu filho, Pedro Segundo.

Aos cinco anos de idade,
subiu ao trono o pequeno.
E o sonho de liberdade,
não satisfeito de pleno,

seguiu na brasilidade
do nosso povo moreno.
Um dia, a maioridade,
num golpe tão gadareno,

trouxe a serenidade,
tornou o ânimo ameno,
mas não pra eternidade,
pois viria um novo aceno.

Aceno, não! Uma súplica
pelo fim da escravidão
e a instalação da República
na nossa jovem nação.

Lá se foram os portugueses,
feito o presidencialismo.
Mas outros golpes mais vezes
mancharam o democratismo.

Entre todos, o mais vil
deu-se em sessenta e quatro,
que no sabre do fuzil
botou o país de rastro.

No caldo daquele mangue,
travou-se tanta batalha,
derramou-se tanto sangue…
Pra muitos foi a mortalha.

Foi tanto que se lutou,
dia e noite, noite e dia,
que a liberdade voltou:
venceu a democracia!

Mas não é que a resistência
à vontade do povão
aprontou nova indecência
contra o voto da nação?

Assumiu um presidente,
cujo nome eu não falo.
Chamo de “Primeiramente”,
“Meia bomba”, “Pouco talo”.

Sem ter tido nenhum voto,
sem as ruas, sem ibope,
o Carlos Magno ignoto
foi mestre-sala de um golpe.

Agora, na Presidência,
conquistada num atalho,
quer mudar a Previdência
e as horas de trabalho.

Chegou lá sem qualquer louro,
nem ele mesmo supunha:
metade por Sérgio Moro,
metade, Eduardo Cunha.

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8 comentários sobre “Michel Temer quando nasce se esparrama pelo chão…

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