O ano do sutiã

Apesar da violência
que há pouco se fazia,
tirando da presidência,
também por misoginia,
uma mulher inocente
pra botar no seu lugar
aquele… o Primeiramente,
já se pode afirmar
que dois mil e dezesseis,
muito embora tão mofino,
ressalvada a estupidez,
foi um ano feminino.

A América do Norte,
de forma surpreendente,
com mais um pouco de sorte,
teria mulher presidente.
Tudo bem que não venceu.
Mas, pela primeira vez,
à Casa Branca dos “reis”
uma mulher concorreu.
No Paraná, houve um show:
defendendo sua ideia,
uma estudante calou
deputados na Assembleia.

Seu nome é Ana Júlia,
como aquela da canção.
Desafiou a tertúlia
e falou da ocupação
de escolas país afora.
Foi um grande zunzunzum.
A menina gritou: “Fora
a PEC Dois Quatro Um!”
E os exemplos de brio
das mulheres foram vários.
Aqui, nos Jogos do Rio,
brilhou a Simone Biles.

Em novembro (seis, o dia),
quase duzentas mulheres
que fazem fotografia
de modo profissional
sentaram na escadaria
do Teatro Municipal.
E como quem ergue halteres
só com a força da retórica,
no seu empoderamento,
posaram pra foto histórica.
Foi grande o congraçamento.
A mídia deu? Não, lamento…

Os dados do Denatran
afirmam que menos sorte
no “Ano do Sutiã”
teve o dito “sexo forte”.
Segundo levantamento,
dos que morrem de acidente,
setenta e oito por cento,
numa conta renitente,
são do sexo masculino.
Por descuido ou desatino
no lidar com o volante,
isso já virou constante.

E órgãos oficiais,
como a pasta da Saúde,
indicam que morrem mais
de tiro e faca, amiúde,
como uns irracionais,
na sua ilicitude,
os que se acham imortais
e são cheios de atitude.
Assim, dos assassinatos
(não há juízo que tomem),
alcançam noventa e quatro
por cento, caramba, os homens!

Também nas brigas de rua,
na falta de gentileza,
na fraude, na falcatrua,
na traição, na torpeza,
quase sempre é masculina
a aberração da vileza.
É como ensina a rotina:
repetição de fraqueza.
Até mesmo na aparência,
é a mulher a mais bela…
Não vê lá na Presidência
o marido da Marcela?

* * * * * * *

A foto das mulheres reunidas nas escadarias do Teatro Municipal do Rio, feita no dia 6 de novembro deste 2016, é de Júlio Cesar Guimarães, que cumpriu com a maior discrição seu papel de único homem convidado pro ato, no qual todas as fotógrafas precisavam estar na imagem.

Anúncios

3 comentários sobre “O ano do sutiã

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s