A reconstituição de Adalgisa

O mundo da cor do barro.
O barro de que fui feito.

Da vida, já fui esparro,
gramei de não ter mais jeito.

Sempre em busca de Adalgisa,
a tenra, a inalcançável.

A transmutada incisiva:
impura e inoxidável.

Pensei tê-la conhecido,
mas foi alucinação.

Seu vulto estava escondido
na sombra do coração.

Pensei tê-la achado, às vezes
– e, em todas, eu a perdi.

E quando a matei cem meses,
mil anos nela morri.

Adalgisa, a inachável,
fingia ser encontrada.

Até se tornar tocável
na sombra de uma escada.

Adalgisa, a imorrível,
a imatável, a sem fim.

A rediviva, invencível,
tão viva dentro de mim.

Uma garoupa morena,
sem tranças de Rapunzel.

Tão longa a curta melena
a me arrastar para o céu.

E, hoje, Adalgisa, digo,
já que agora é encontrada:

– Quer seguir, pronta, comigo,
desassombrada na escada?

Os seus peitos generosos,
sua bunda de cetim…

Os meus olhos, tão gulosos,
desejam tudo pra mim.

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